2013/09/08

Resenhas: Dead Fish @ Music Hall

A banda Dead Fish se apresentou ontem a noite no Music Hall. Os grupos Collin-Us, SYA e Traditional Disorder abriram a apresentação principal. O show foi organizado pela produtora Brasucas e as bandas curitibanas foram escolhidas após enquete criada na página do evento por um de seus fãs.

O quarteto SYA subiu ao palco e rapidamente se preparou para mais uma performance que começou após as 20:00. Forger é o nome da música interpretada pela primeira vez ao vivo e provavelmente fará parte de seu próximo trabalho, ainda sem data de lançamento e título definidos. Algumas ficaram de fora devido ao curto tempo disponível para o show e, como de costume, Danilo, vulgo AlfaceFelipe, vulgo JapaMarcelo e Neto ofereceram aos presentes versões cover de Dull e Play This Song Again, originais das bandas Samiam e Street Bulldogs, respectivamente. A resposta do público foi bem positiva nesses momentos e as canções originais serviram para mostrar o potencial da banda que já é conhecido desde o começo do ano pelos amigos. Estes colaram em peso e apoiaram o quarteto, fato significativo que pesou muito mais do que o baixo público (considerando o  tamanho a pista de dança) que ocupava a pista de dança. Caso a participação tivesse começado com uma meia hora de atraso, o público atingido seria maior e a apresentação mais válida, mas como já foi dito, o que importou foi ter os amigos por perto. O volume do microfone estava um pouco baixo e a caixa de guitarra aparentou estar um tanto quanto saturada nas últimas canções (fato que se repetiria nos outros shows e comprometeria a qualidade de todas as performances). Mesmo com essa questão e a corda de guitarra arrebentada, todo o trabalho da SYA foi finalmente coroado com a oportunidade de dividir o palco com o Dead Fish.

Faixas

01 Introdução
02 Road
03 Forger
04 Money
05 Galetera
06 White Rabbit
07 Appetite For Destruction

A banda  Traditional Disorder começou a tocar exatamente as 21:00. Nesse horário, o público presente já ultrapassava a faixa das 100 pessoas que se acomodavam confortavelmente na pista de dança. A primeira roda se formou em Filho Da Puta. O guitarrista e atual vocalista Andrei, vulgo Tuta, demonstrou considerável evolução entre o microfone e as seis se comparado ao show anterior no Espaço Gólgota ao lado dos grupos From The Kings, Inner Self (São Paulo), Strength Approach (Itália) e Your Fall. Todos esse esforço valeu a pena pois a resposta do público foi positiva principalmente por parte dos skatistas presentes que se identificaram com a proposta musical do quarteto. O amigo e baixista Vitor, vulgo Squash, foi convocado as pressas por Danilo, vulgo Paulista,  e deu conta do recado sem fazer muito esforço. Essa troca foi temporária por este se apresentou no mesmo dia e hora com o grupo SOS Chaos na cidade de União Da Vitória, no interior do estado.

Faixas

01 Introduction
02 What You Say
03 I'm Enough
04 Or Be Free
05 Sacred Gold
06 Only Weak Fall
07 I Wanna Skateboard
08 I Don't Give A Fuck
09 Institutional Of Traditional Disorder

A banda Collin-Us também se inscreveu após a criação da enquete que serviu de ajuda para escolher quais grupos participariam desse evento. Essa foi uma ótima oportunidade de divulgar seu mais recente trabalho, o álbum de estúdio A Olho Nú, lançado há alguns dias no formato digital. Esse trabalho foi interpretado ao vivo na íntegra e bem recebido para o público que já ocupava toda a pista de dança e se acomodava na medida do possível próximo aos bares. Cientes de que tocariam para uma plateia numerosa, Deléo (guitarra e vocal), Edmer (baixo), Kiko (guitarra), Leandrinho (bateria) prepararam uma surpresa um tanto quanto inusitada para a noite. O quarteto interpretou ma versão cover de um sucesso ultra romântico: Heaven, original do artista canadense Bryan Adams. A parcela mais velha do público reagiu com muito humor e até cantou alguns trechos da música mas os mais novos, na faixa dos 16 aos 20 anos, estranharam um bocado. Outra canção que recebeu uma versão diferente foi Embedded Needs, original do quinteto santista Garage Fuzz. Esses momentos foram o que mais geraram uma interação entre banda e plateia. Um outro e não menos importante foi quando o Deléo explicou porque a Collin-Us escreveu a música SOS Hardcore. As estrofes e versos são dedicadas para os grupos que estão começando suas atividades, procuram lugares para tocar e são ou já foram exploradas por organizadores e produtoras de má fé que exigem cota de ingressos para fazer o evento acontecer. Durante seu discurso várias pessoas gritaram o nome de Zurca, umas das celebridades mais conhecidas da cena curitibana, desde a época da La Mafia, Cartada e que ainda continua agindo no município por meio de outras pessoas.

 Faixas

01 Prisão Sem Opção
02 A Revolta
03 Contexto Padrão
04 Heaven (Bryan Adams)
05 SOS Hardcore
06 Reflexo Torto
07 Embedded Needs (Garage Fuzz)
08 Sentido De Existência

O show do quarteto capixaba Dead Fish (peixe morto, em português) começou assim que os técnicos de som trocaram parte do equipamento de som e fizeram alguns ajustes no palco. A banda se apresentou como headliner na primeira edição do evento Barba Rock em maio desse ano e retornou ao Music Hall para interpretar canções de todas as fases de sua carreira para um público que, em sua maioria, não faz nada pelas diferentes cenas hardcore curitibanas. Cerca de 95% dos presentes quase perdem a voz cantando músicas com mensagens importantes como Modificar, MST (essa não foi tocada na noite) Sonho Médio e Venceremos mas não levantam o bumbum do sofá para fazer algo acontecer, seja diretamente relacionado ao hardcore ou a qualquer movimento social. Ayland (baixo), Marcão (bateria), Philipe (guitarra) e Rodrigo (vocal) há anos passaram pela prova de fogo do hardcore e não precisam provar nada para mais ninguém. Eles não são culpados por essa apatia que aparentemente é um mal dessa cidade provinciana e fizeram sua parte incentivando os garotos durante os shows a fazer algo de diferente, seja por eles mesmos ou pelos outros. Parece que o problema são as pessoas que usam as estrofes e versos como uma forma de fetiche que as satisfazem por um momento e que são descartadas logo em seguida, assim como um protestante que vai na igreja para se redimir dos pecados e volta a fazer merda na segunda-feira de manhã. A performance foi rápida e os problemas com o som foram inúmeros, repetitivos e visivelmente irritaram Marcão e Rodrigo. Esse fato talvez tenha desmotivado o quarteto a tocar todas as músicas que estavam no set list e além de MST, outras músicas ficaram de fora: Canção Para Amigos, Just Skate e Tango.

O saldo final do evento foi razoavelmente positivo. Os fãs que pagaram entre R$20 e R$40 para ver um show do Dead Fish viram mais um show do Dead Fish, consumiram diversos itens de seu merchandise e voltaram para as suas casas. As bandas que tocaram antes foram vítimas da péssima qualidade de som e descaso do técnico (diferente do que o grupo principal usou, é claro) mas tiveram a oportunidade de tocar para um público maior e ainda assistir ao show da noite de graça. O problema muitas vezes não é o dinheiro e sim quem organiza um festival ou show de hardcore em Curitiba. A grana é necessária sim para pagar o cachê do artista, alugar o espaço, o equipamento de som e pagar as pessoas que trabalham durante o evento, mas algumas questões são deixadas de lado e aqueles que vivenciam o hardcore facilmente notam isso. Todas essas questões contribuem para a conclusão que esse foi só mais um show do Dead Fish na capital paranaense.

As pessoas que estiverem interessadas em participar de algo diferente poderão rever o quarteto tocar na 9a edição do festival Verdurada Curitiba que acontecerá no dia 29 desse mês na Casa Do Estudante Universitário. A entrada custará apenas R$10 e cinco grupos dividirão o palco com os capixabas: Ayat Akrass, Beer Buk Trio, Days Of Sunday, Parte Cinza e XAmorX. Os ingressos serão antecipadamente vendidos nas lojas Bali Hai, Veg Veg e são limitados. Haverá um debate com o título Racismo E O Privilégio Branco No Hardcore e jantar vegan gratuito no final do evento.

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