2012/12/10

Resenhas: Dead Fish

A banda capixaba Dead Fish se apresentou ontem a noite no Hangar Music Hall. Os grupos No Reply, Oskão e os cariocas da P.R.O.L. O retorno de uma das maiores e mais importantes bandas do hardcore nacional aconteceu por volta das 21:00 para um público que lotou a pista de dança e boa parte dos camarotes. Leia a seguir como foi as apresentações de todas as bandas.


O grupo Oskão abriu o festival as 18:40 e ofereceu aos presentes o show mais divertido da noite. Os amigos de longa data, o baixista Rodrigo, vulgo Salgueiro, o guitarrista Rafael, vulgo Sem Freios (conhecido pela cidade por ser o dono das baquetas em outras bandas e produtor musical) e o baterista Rafael Borck interpretaram músicas autorais para um público que, no começo da apresentação, já era de setenta pessoas e que no fim da mesma ultrapassou a casa dos cem. Esse número era só uma previsão do que aconteceria horas depois e o formigueiro que se formaria na pista de dança. Muita das pessoas que curtiram o show (e acompanhar o trio nas estrofes e versos de várias das canções) relembraram seus tempo de adolescência no qual a Oskão viveu seu auge no penúltimo bom momento da cena hardcore de Curitiba. As piadas entre as canções foram inúmeras, principalmente quando Sem Freios tentava melhorar a qualidade do som de seu instrumento afinando-o. Seu colega, Salgueiro, afirmou que o problema não estava nas seis cordas e sim na pessoa que as tocava. Os representantes do rock vagabundo mostraram seu escracho como nos shows anteriores e o set list foi estava escrito nas costas do baixista, consultado a todo momento por Sem Freios. O momento de maior animação foi durante Você Não Presta pois a resposta do público aconteceu durante toda a sua execução. Antes de interpretar Rock Vagabundo, o trio convidou o baixista da banda Last Year, Rodrigo Kawata, vulgo Japa, para dividir o palco. Mesmo com alguns erros no começo, esse momento foi divertido e mostrou que, mesmo com o passar dos anos, os laços de amizade continuam fortes e unidos pela bagunça e pela bebida.


Faixas 

01 Não Fui Eu
02 Por Aí
03 Frieira
04 Apenas Mais Um Dia
05 Old School
06 Você Não Presta
07 Pros Meus Amigos
08 Carolina
09 Vá Embora
10 Rock Vagabundo

O quarteto No Reply, um dos nomes que mais se apresentou nos palcos curitibanos este ano, foi escolhido para encerrar a primeira metade do evento. Depois de lançar seu segundo EP, intitulado Poemas Para Pessoas, Protestos Para O Que Detesto, nos formatos digitais e físico, Guilherme, Luis, Rodrigo e Willian se apresentaram por cerca de 30 minutos para um público que naquele momento já ocupava boa parte da pista de dança. Como de costume, as músicas escolhidas foram as autorais do trabalho já citado e versões cover de suas maiores influências. Dessa vez os grupos escolhidos foram Bad Religion e NOFX. Régis Antunes, compositor e vocalista do grupo Junkyard Dogs, foi convidado para interpretar Save Our Scene e o fez no começo do show. Muitos dos que não conheciam o quarteto puderam conferir sua performance de palco (uma das mais agitadas e singulares) e adquirir as cópias físicas de seu mais recente trabalho por R$7, além do CD de Monocromático, seu primeiro registro, por R$5. A banda gentilmente dividiu a área reservada ao merchandise com os cariocas da P.R.O.L e também abriu espaço para divulgação do zine Guritiba.

Faixas

01 Los Angeles Is Burning (Bad Religion)
02 Middle Class
03 Save Our Scene
04 Globalizar
05 A-OK (A-OK)
06 Abstrato
07 Eu Lírico
08 Linoleum (Nofx)

A banda P.R.O.L. viajou mais de 850 quilômetros da cidade maravilhosa para a capital ecológica para se apresentar pela segunda vez. A primeira aconteceu há poucos meses e naquela ocasião os cariocas também dividiram os palcos com os curitibanos da Javalis Do Pântano. Sua proposta musical é parecida com a de grupos como Madball e Sick Of It All, com a importante diferença de que as letras das músicas são escritas em português. O conteúdo delas, aliás, são temas como amizade, respeito, união e também os problemas encontrados em países de terceiro mundo. Quanto a performance, faz-se necessário destacar a presença de palco com que todos seus membros cantam e tocam as suas músicas, do começo até o fim do show. O show, infelizmente, foi relativamente curto, pois a P.R.O.L teve tempo para tocar apenas nove faixas, sete autorais e a duas versões cover: Walk do grupo Pantera e Commando dos Ramones. A entrada e saída de membros trouxe músicas com um som mais pesado, riffs de guitarras mais trabalhados, além de um vocal muito agressivo e forte. O show foi tão bom que agradou praticamente toda a platéia, visto que a grande parte dos fãs da banda Dead Fish gostam de todas as escolas do hardcore. 

Faixas

01
02 Convição
03 Walker (Pantera)
04 Força E Fé
05 Resistência
06 Família Reunida
07 Sem Futuro
08 Commando (Ramones)
09 Traidor


Assim que o show da última banda terminou, a equipe do quarteto Dead Fish começou a montar o palco para a apresentação do grupo capixaba. O público presente estava amontoado na pista de dança e sentindo um calor e desconforto típicos de um show lotado no Hangar Music Hall. Mesmo assim, acostumados com essa situação, as pessoas já estavam preparadas para curtir mais um show com Ayland, Marcos, Philippe e o carismático vocalista Rodrigo. A performance finalmente começou as 21:30. Como em todo show do grupo, a energia dos músicos foi transferida para a platéia que a devolveu com uma empolgação única, inexplicável e que só pode ser sentida numa situação como essa. Antes da interpretação de boa parte das canções, Rodrigo comentou sobre a mensagem que o quarteto pretende passar nas estrofes e versos e também um breve histórico sobre o processo de composição. Ele revelou que algumas canções do 6° álbum de estúdio, Zero E Um, foram gravadas em Curitiba. Outra lembrança foi quando o quarteto, no início de sua carreira, assistiu ao show da banda Ramones na cidade no fatídico dia 12 de novembro de 1994. Choveu muito na ocasião e além do quarteto punk rock, os grupos Raimundos, Sepultura e Viper também se apresentaram na Pedreira Paulo Leminski. Todas essas memórias foram compartilhadas e o vocalista afirmou que esse foi um dos melhores shows que ele já viu e o que mais se fodeu nas mãos de policiais.

As canções que mais agitaram a galera foram Paz Verde, Mulheres Negras (dedicada a população negra de Curitiba que, segundo Rodrigo, é a maioria), Bem Vindo Ao Clube e A Urgência. Durante a penúltima, a carismática Sissi Poliana, futura arquiteta de Curitiba, deu seu primeiro stage dive. Ela não foi a única e a movimentação no palco atrapalhou e incomodou muito os músicos. Nas cenas hardcore e nos shows há pessoas boas e ruins. Um dos fãs mostrou ser um grande mane e possuir um espírito de porco ao subir no palco só para roubar uma lata de cerveja. Rodrigo não deixou barato, mandou o otário devolver a bebida e o mesmo saiu de cena com uma cara de bunda poucas vezes vista em um festival.

Um dos comentários mais importantes feito pelo líder da Dead Fish foi sobre futebol e seu poder alienante. Ele desejou aos presentes um esporte mais autônomo e com menos sujeira ao contrário do que é apresentado pelas federações e pela grande mídia. A grande maioria dos fãs da banda sabe de cor e salteado todas as estrofes e versos de suas músicas, mas muitas vezes apenas consome o que é escrito pelo quarteto, sem viver o que interpreta e toma para si como certo. Um fato engraçado e irônico é que algumas pessoas saem de casa apenas duas vezes por ano, visto que grupo normalmente se apresenta em Curitiba todo semestre, ignorando todos os grupos da cidade que estão na luta para crescer e melhorar a cena musical do município.

No final do show, o baixista Ayland estava visivelmente cansado. Além da idade, pesou um pouco das condições do local, o número de pessoas peidando e respirando no mesmo lugar sem contar a alta temperatura na pista de dança. Mesmo assim, a banda Dead Fish deu mais uma aula de como deve ser um show de hardcore e esse com certeza foi o evento mais importante de todo o mês.

Faixas

01 A Dialética
02 Sonhos Colonizados
03 Venceremos
04 Tango
05 Paz Verde
06 Zero e Um
07 Mulheres Negras
08 Contra Todos
09 MST
10 Asfalto
11 Shark Attack
12 Sonho Médio
13 Bem Vindo Ao Clube
14 Descartáveis
15 Queda Livre
16 Não
17 Tão Iguais
18 Autonomia
19 A Urgência
20 Viver
21 Canção Para Amigos
22 Afasia
24 Proprietários Do Terceiro Mundo
25 Eleito Por Ninguém

O evento foi um grande sucesso e o saldo com certeza foi muito positivo. Alguns cuidados podem ser tomados na próxima vez para que o público receba um pouco mais de conforto, mas a parte musical estava ótima por isso não se pode reclamar do festival como um todo.

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